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Home Palavra do Aluno O Homo sapiens na Era pós-moderna

O Homo sapiens na Era pós-moderna

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O ser humando possui o maior cerébro porporcionalmente ao corpo, e é uma das poucas espécies capazes de se reconhecer no espelho (juntamente com chimpanzés, gorilas, bonobos, golfinhos e pombos).  Além disso, possui diversas outras carcterísticas morfológicas conspícuas, como o modo bípede de caminhar e um dedão opositor que forma, com o restante da mão, uma poderosa e precisa pinça. Modificações na laringe e no osso hióide deram a capacidade da fala.

A união dessas características, inteligência (cérebro grande), consciência de si mesmo, a grande capacidade de manusear ferramentas e a facilidade de comunicação capacitaram o ser humano a desenvolver sua sociedade e sua cultura como nenhum outro animal. A acumulação dessa cultura ao longo dos milênios proporcionou a evolução constante das ferramentas utilizadas pelos humanos. O domínio da agricultura e a domesticação de animais eliminaram a necessidade de nomadismo na espécie. Milênios depois, o domínio das doenças e a produção de bens industrializados resultaram em um crescimento populacional raramente visto entre os animais mais complexos.

Cada dia nos maravilhamos mais com nossas próprias criações, nossa capacidade de modificar o ambiente a nossa volta, moldando-o segundo nossas necessidades. Vivemos hoje em um mundo inimaginável para nossos antepassados, onde não existem mais distâncias, onde as fronteiras entre países se fundem, onde a comunicação entre todas as partes do mundo é praticamente instantânea. Estamos cada vez mais próximos da criação da inteligência artificial, máquinas capazes de pensar por si só, e até mesmo refletir sobre suas ações, aperfeiçoando-se a si mesmas. A interface homem-máquina também se encontra cada vez mais tênue, e o comando de membros mecânicos com o pensamento é quase uma realidade.

Diante desses fatos, será que o homem deixou, ou talvez esteja se distanciando da sua origem animal? Casos de estupro, de chacinas, de “selvageria” entre humanos não nos fazem refletir sobre o quanto ainda estamos próximos de nossas raízes animais?

Homo sapiens (do latim homem pensante) é o nome científico da espécie humana. Pertence à família Hominidae, a mesma de orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos. Nessa árvore evolutiva, os mais distantes (e, conseqüêntemente, mais diferentes) são os orangotangos, seguidos pelos gorilas. Mais próximos de nós se encontram os chimpanzés e os bonobos, que pertencem ao gênero Pan, que é considerado o grupo irmão do gênero Homo, que deu origem à nossa espécie. Acredita-se que a separação entre esses dois gêneros se deu a mais de 6,5 milhões de anos atrás, embora evidências genéticas sugerem que tenha sido ainda mais recente, entre 5,4 e 6,3 milhões de anos atrás. E vale lembrar que essa separação é para as primeiras espécies que deram origem ao gênero Homo, e não necessariamente do homem moderno. Esse tempo, do ponto de vista evolutivo, é muito curto. Isso faz com que homens e chimpanzés compartilhem mais de 95% de seus genes. Dessa forma, você é apenas dez vezes mais parecido com um ser humano que não seja seu parente que com um chimpanzé. Somos mais parecidos com os bonobos que os ratos são com camundongos.

Seguindo essa linha de raciocínio, veremos que a espécie humana atual surgiu a aproximadamente 200 mil anos atrás. Se pensarmos que as sociedades mais antigas conhecidas formaram-se a cerca de 10 mil anos atrás, fica claro que estamos ainda muito próximos de nossas raízes animais. São apenas 10 mil anos de evolução cultural, de evolução social, enquanto, apenas para a espécies Homo sapiens, são mais de 190 mil anos de evolução biológica, e para todo o gênero Homo, mais de 6 milhões de anos!!!

Isso significa que as raízes de muitas de nossas atitudes, de nossos comportamentos ainda está na evolução biológica, muito mais que nos padrões culturais ou morais. Um exemplo é a formação de casais estáveis entre humanos. Muito antes de ser moralmente correto e socialmente mais aceito, a evolução moldou esse tipo de comportamento, devido a mudanças fisiológicas nas fêmeas humanas, que passaram a ovular mensalmente (daí o nome, ciclo menstrual, ao contrário do ciclo estral da maioria dos mamíferos) e o período fértil dessas fêmeas passou a ser escondido, ou seja, não havia modificações externas que denunciassem que a fêmea estava no período fértil. Dessa forma, os machos precisavam “proteger” suas fêmeas por tempo integral para assegurar a paternidade dos filhotes, e daí surgiu a formação de casais estáveis entre os humanos.

Ora, dessa forma seria muito fácil explicar casos de estupro (um comportamento também presente em outros macacos, como o chipanzé) ou de chacinas e guerras entre grupos rivais, que também acontece, asseguradas as devidas proporções, em outros grupos animais. Lembra-se da consciência, um dos diferencias da espécie humana? O homem é capaz de refletir sobre suas próprias ações, classificando-as, individualmente, como certas ou erradas. É capaz de raciocinar, de abstrair e imaginar situações, fatos e cenários nunca antes vividos. Isso permite que os humanos controlem seus intintos, que regulem suas ações de forma a encaixá-las nos padrões socialmente aceitáveis. E como esse padrões se alteram ao longo do tempo, o ser humano se torna capaz de moldar, em vários aspectos, a evolução do seu comportamento.

E parece ser esse um desafio do homem na Era Pós-moderna: como controlar seus instintos, como conciliar suas vontades e suas ações moldadas por milhões de anos de evolução biológica aos padões formados por milhares de anos de evolução cultural? Longe de mim saber uma resposta. Apenas gosto de lembrar que, mesmo andando em máquinas maravilhosas, mesmo nos comunicamos com nossos parentes e amigos do outro lado do globo instantaneamente, mesmo controlando rios e mudando totalmente o mundo a nossa volta, não deixamos de ser animais, não deixamos para trás nossos instintos e não mudamos tanto nosso comportamento, que é muitas vezes tão semelhantes a “animais selvagens”. E pensar assim me faz sentir pequeno, me faz ver não sou melhor nem mais especial que qualquer outro ser vivo nesse planeta...
 

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