A Sociedade Brasileira de Bugei (SBB) é uma instituição fundada em 2002 com o objetivo de preservar, manter, cultivar e difundir a cultura do Bugei (Arte Militar tradicional japonesa) no Brasil. Além disso, regulamenta as atividades educacionais voltadas a essa Arte, de modo que não seja deturpada ou desvirtuada de seus princípios originais.
Kaze no Ryu Bugei é a "arte militar do estilo do vento". Foi desenvolvido pelo povo Shizen, que habitava as florestas de Hokkaido, norte do Japão (Era Kamakura, 1192 d.C. - 1333 d.C.). Na época, essa arte era denominada "Uchiu Shizen", que significa "domínio da natureza e do espaço".
A origem dos "Shizen" está ligada aos Ainu (os verdadeiros nativos do Japão, mais semelhantes a caucasianos que aos japoneses) que, durante séculos, vinham sendo expulsos para o norte do Japão. Registros de 801 d.C. indicam que tribos Ainu foram derrotadas no norte por Tamuramaro Sakanoue (Oscar Ratti). Aos reprimidos Ainu, se juntaram outros descontentes do regime feudal, como vários ronin, curandeiros e agricultores, que se refugiaram em aldeias ocultas na floresta. Em contato direto com a natureza, esse povo desenvolveu sua própria cultura e tradição. Eram quatro aldeias que formavam o povo Shizen: Kawa, Yabu, Tayo e Yama.
Desenvolveram uma língua própria - o "Shizen-go" - e também uma religião - o "O-Chikara" - fundamentada no culto às energias da natureza, denominadas Tengu.
O Bugei ensinado pela SBB veio da escola Ogawa ShiZen Kay, descendentes da aldeia Kawa. A história afirma que o "Kaze no Ryu" foi batizado por Yorike Mizuguchi que, influenciado por Choisai Iizasa, redirecionou, através da ajuda dos "kami" (deuses) japoneses, as formas e manobras de guerra.
O "Kaze no Ryu", assim como outros estilos, desenvolveu-se a partir de constantes aperfeiçoamentos técnicos que, mesclados com pensamentos que se renovavam a cada dia, cimentou suas diretrizes, determinando o caminho a ser desenvolvido. As fontes da linhagem que asseguram que o Kaze no Ryu se difere de outros estilos pela sua capacidade estratégica é também contraditória, no que afirma que o estilo foi totalmente ensinado pelos deuses e divindades.
Na verdade, os bushi (guerreiros) trouxeram com eles suas idéias simples de excelência, traduzindo concretamente numa lealdade pessoal a seu superior direto. Essas idéias, de acordo com registros históricos, contrastavam com a alta sofisticação e introspecção da cultura Nara.
O contraste foi resolvido através da imposição das armas. Muitos clãs aristocratas foram totalmente destruídos e os poucos nobres que sobreviveram eram desprovidos de qualquer influência efetiva, ficando restritos a representação da corte imperial junto com o imperador. Também foram destruídos os monastérios e bibliotecas que contivessem a essência da cultura Heian: escrituras, registros e obras de arte.
O modo do guerreiro foi brutal e súbita na conscientização de toda a população.
Em milhões de incidentes, todos pequenos, porém de grande importância social, o drama do confronto mortal entre dois homens foi repetido na história muitas e muitas vezes a ponto dessa experiência particular humana se tornar um aspecto intrínseco à alma japonesa.
Durante o período Tokugawa, as tradições da classe militar, sob uma antiga e contínua cultura, condicionaram tão fortemente o caráter nacional que os japoneses foram naturalmente descritos como um povo habituado às guerras.
A intensidade de lutas e conflitos civis impressionava qualquer um que tivesse como referência os períodos de guerras européias. No entanto, para os próprios japoneses, esse período de combates era considerado normal por seus habitantes. A prova disso é a maneira que os japoneses chamam seu país, como a “Terra da Grande Paz”, embora as ruas de Edo possuíssem nomes de implementos de guerra, como Armadura, Elmo, Arco, Flecha etc.
A classe samurai teve sucesso na completa saturação da psique nacional com uma interpretação particular do espírito nacional (Yamato-damashii), na imposição de seus valores sobre o resto do país e no congelamento histórico do estágio de desenvolvimento caracterizado pelo feudalismo. Porém, isso só pode ser avaliado no início do período Meiji, em meados de 1868.
Yorike Mizuguchi, que posteriormente modificou seu nome para Manabo Ogawa, foi o progenitor de toda a árvore genealógica da família Ogawa. Yorike era sacerdote e acreditava na mensagem dos deuses como forma inicial de sua elevação. Após seu feito, Manabo foi reconhecido pelos sacerdotes como Kokeisha (sucessor) direto da linhagem tradicional da aldeia Kawa.
Acredita-se que o nome adotado – Ogawa – seja sem dúvida, uma homenagem ao seu renascimento nas águas do “pequeno rio” que banhava a aldeia.



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