Além da beleza das cenas, figurino e roteiro, há algo que intriga
O diretor Takashi Koizumi fez uma homenagem ao mestre japonês do cinema, Akira Kurosawa, ao dirigir o filme Depois da Chuva (Ame Agaru). Baseado no último roteiro feito por Kurosawa, o longa metragem retrata a história do ronin (um samurai sem mestre) Misawa, que não consegue se estabelecer por onde passa, pois sempre que consegue um emprego algo lhe impede de ficar. Apesar deste infortúnio, é um gênio no manuseio da espada.
Com a mulher, o ronin Misawa viaja de vila em vila. E numa das viagens o casal acaba confinado em uma pequena hospedaria, em companhia de hóspedes sem condições financeiras, já que a chuva que caía por dias elevou o volume do rio que teriam de atravessar. Sensibilizado pela condição das pessoas da hospedaria decide lutar por dinheiro, uma coisa a qual não faria devido uma promessa feita à mulher dele.
Um filme que toca o âmago de quem o vê em vários aspectos. Além da beleza das cenas, figurino e roteiro, há algo que intriga. Perdoem-me pelo ‘spoiler’, mas existe algo para descrever sobre Misawa, interpretado por Akira Terao.
Não gostaria de dissertar aqui como um crítico de cinema, muito menos como um jornalista. Kurosawa e Koizumi certamente devem ter ouvido alguma vez sobre Gabriel Garcia Márquez, mas provavelmente não teriam ouvido a frase “Nunca deixe de sorrir, nem mesmo quando estais tristes, porque nunca sabes quem poderá enamorar-se do teu sorriso”.
Carismático e sempre bem disposto, o ronin Misawa não consegue encontrar um bom emprego por todo o filme e mesmo assim se mantém humilde e verdadeiro. Em toda a trama suponho que não houve um instante em que tenha deixado o bom humor de lado e um sorriso que destruiria qualquer “pessoa armada”.
Há tempos a ciência quebrou a tese de que humor não tinha relação com a saúde. Pesquisas feitas em diversas universidades, uma delas em Wisconsin, nos Estados Unidos, apontam que o bom humor, otimismo e emoções positivas ajudam a manter a parte esquerda do cérebro mais ativa.
Por isso, a medicina em geral e a psiquiatria, em particular, estudam muito a importância do bom humor. Sobretudo, na prevenção de doenças e como fator de melhor recuperação de moléstias graves, entre as quais o câncer.
Todavia, não estamos falando de pessoas que riem à toa ou que gostam de “tirar sarro” com tudo que vêem. Um comportamento mais sério pode ser uma exigência profissional ou uma conveniência social. “O bom humor, na realidade, diz respeito a rir-se das coisas em geral, das incongruências do cotidiano, da comédia da vida diária, das brigas, dos pequenos problemas do dia-a-dia e, até mesmo, dos tempos difíceis que passamos”.
Referências
Baltrusch HJ, Stangel W, Titze I (1991) - Stress, câncer and immunity. New developments in biopsychosocial and psychoneuroimmunologic research. Acta Neurol – Napoli - Aug, 13:4, 315-27.
Berk LS, Felten DL, Tan SA, Bittman BB, Westengard J. (2001)- Modulation of neuroimmune parameters during the eustress of humor-associated mirthful risada. - Altern Ther Health Med Mar;7(2):62-72, 74-6
Macaluso MC. (1993) - Humor, health and healing. ANNA J 1993 Feb;20(1):14-6
MARGARIDO, Orlando. Depois da Chuva explora poética dos samurais. [on-line] Disponível na Internet via WWW. URL: http://www.terra.com.br/cinema/noticias/2001/05/22/004.htm. 07 de novembro de 2007.




