Você sabia?
| "Mestres afirmam que que o Aikijujutsu originou-se da arte da espada, o Kenjutsu. Quando nas batalhas não havia outras soluções para a defesa que não o conceito do Sukima (vazio). O Sukima representa um fundamento básico do Aikijujutsu, e simboliza fazer com que um adversário (inicialmente portando a espada Katana) não consiga atingir seu objetivo, apenas usando os conceitos dos quatro elementos, água, fogo, ar e terra. A partir deste princípio surgiu o primeiro movimento que hoje constituí o Aikijujutsu". |
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| Na era dos descartáveis |
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| Escrito por Raoni Rosa Rodrigues |
| Seg, 01 de Fevereiro de 2010 11:26 |
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O capitalismo, em sua essência, necessita de um crescente consumo que alimenta a base produtiva Apesar de ter vivido apenas 26 anos, gosto de refletir sobre as transformações que o mundo vem sofrendo. Com certeza não vivi todas essas transformações, mas através de depoimentos dos mais velhos, e observando o que se passa a minha volta, busco traçar paralelos buscando identificar as principais diferenças e mudanças pelas quais o mundo vem passando. Em conversa recente com minha esposa, após vermos alguns vídeos sobre a atuação da mídia brasileira em relação às crianças, e de como ela acaba moldando e forjando os desejos nos jovens; observamos como hoje vivemos na era dos descartáveis. O capitalismo, em sua essência, necessita de um crescente consumo que alimenta a base produtiva. O aumento do consumo leva a um aumento da produção, fazendo com que o dinheiro circule mais rapidamente, sendo essa movimentação financeira uma das bases desse sistema social. Atualmente quase tudo o que compramos é descartável, tem vida útil muito curta e vem embalado em papel, plástico ou em materiais frágeis que não valem a pena serem reutilizados. Como a reciclagem da maioria dessas embalagens também não é economicamente interessante, acaba-se produzindo uma quantidade cada vez maior de resíduos, já que o destino de quase tudo sempre é o lixo. Antigamente se tinha o aproveitamento de quase todas as embalagens dos mais diversos produtos, pois o material que as constituía era de boa qualidade. Hoje, os bens duráveis - computadores, celulares, geladeiras e fogões - se tornam rapidamente obsoletos com o lançamento de novas tecnologias e a mídia sempre tenta convencer que se você não possui o último modelo, então não faz parte da “sociedade”. O resultado é uma busca incessante pelo novo, pelo diferente, pelo mais moderno e atual. Mas e o antigo, que ainda funciona bem e cumpre sua função? Descarta-se, não vale mais nada... Em países muito capitalistas e bem desenvolvidos, conta-se (nunca presenciei, apenas tenho relatos de quem já esteve por lá) que era possível montar uma casa com geladeira, fogão, microondas, televisão e tudo mais o que se necessitava apenas com o que era encontrado no lixo, tudo funcionando e em perfeito estado, jogado fora apenas porque foi lançado um modelo mais novo. Talvez nesses tempos de crise mundial as coisas tenham se modificado um pouco, mas o que quero salientar é a mentalidade que já está embutida nas pessoas: precisamos do novo, o antigo não serve mais, deve ser jogado fora. Tudo se torna fácil e rapidamente descartável... Se esse pensamento fosse em relação às coisas - coisas materiais que provavelmente afetarão a nossa vida num futuro não muito distante – teríamos apenas que nos preocupar com a saúde do planeta, com o excesso de produção de lixo e com o esgotamento das matérias-primas não renováveis. Mas o que vemos é que essa mentalidade é extrapolada também para as relações entre as pessoas. Em países como o Brasil, os mais velhos não são valorizados, e sua experiência não tem o menor valor. Não me refiro aos idosos que são geralmente desrespeitados por não estarem diretamente inseridos na cadeia produtiva; refiro-me às pessoas com idade superior a 40 anos (aqui consideradas velhas para trabalhar). Caso pessoas desta faixa etária percam o emprego delas, encontrarão muitas dificuldades para recolocarem-se, independente da experiência e qualidade do serviço que podem oferecer. Muitas empresas demitem funcionários com essa idade em função das gratificações por tempo de serviço que eles acumulam, tornando-os caros para a empresa. São então descartados, substituídos por profissionais mais novos, muitas vezes menos qualificados e certamente menos experientes. Óbvio que essa análise merece diversos desdobramentos e que cada caso é um caso. Não quero, de forma alguma, afirmar que toda pessoa mais velha é mais competente, apenas quero chamar atenção para o modo como as pessoas, conhecimentos e experiências adquiridas ao longo de muitos anos, são simplesmente descartadas. E esse raciocínio acaba sendo aplicado em outros relacionamentos. Namoradas e namorados passam a ser descartáveis também. Um relacionamento não está dando muito certo? Troquemos nosso parceiro, busquemos um novo, tentemos novamente. Certamente será muito mais fácil que encarar o problema, conversar, abrir mão de algumas coisas, ceder em alguns pontos... Descartamos facilmente o nosso sentimento e o sentimento do outro. Um mestre não está lhe agradando? Não está passando todos os ensinamentos com a velocidade que você gostaria? Descarte-o também, há tantos por aí, busque um novo, já que o caminho tradicional é mais lento e penoso. Não importa a fidelidade e o giri. Apenas troque-o; o novo é sempre mais excitante. Esse é o tipo de mentalidade que vemos com muita frequência por aí. Claro que todos nós temos a liberdade de ir e vir, e de escolher sempre o que julgamos ser o melhor caminho. Mas o que mais me assusta na modernidade é a velocidade com que os caminhos, os sentimentos, as vivências e a experiência são postos de lado e substituídos. Embrenhamo-nos atrás de coisas novas, buscando a adrenalina que a novidade e o desconhecido proporcionam e muitas vezes arrependemo-nos. É tarde demais para voltar... |
| Última atualização em Ter, 07 de Setembro de 2010 15:57 |
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