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Sem memória, sem norte

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E o tempo? Se você não é tão amigo dele, faça um planejamento detalhado dos seus afazeres

A Persistência da Memória (1931) é um dos mais famosos quadros do pintor espanhol Salvador Dali. Ao olhar o pequeno quadro, uma das obras de arte mais famosas do século XX, encontramos relógios reproduzidos em imagens flácidas que, segundo estudiosos da Arte, fazem uma analogia a obsessão humana com o tempo e a memória.

Claro que a obra deu margem a numerosas interpretações. A idéia da passagem do tempo está presente em várias outras obras de Dalí, inclusive em um curioso relógio feito por ele, em 1949, chamado O Olho do Tempo. Vislumbrando a obra de Dali e também analisando com mais percepção o cotidiano, não é difícil chegar a conclusão de que a sociedade sofre de uma perda de memória e de tempo.

Sem memória, o homem caminha desnorteado, sem perspectivas para o futuro, sem o entendimento do presente e sem conhecer seu passado. Na memória guardamos tudo que vivemos, é o nosso arquivo. Um arquivo que pode empoeirar, ter gavetas enferrujadas e até mesmo alguns documentos perdidos. Por isso é bom lembrar, trazer à tona tudo que lhe fez bem ou que é importante. Mas apenas com o esquecimento é que nos forçamos a lembrar de algo. Daí vem a importância da valorização de tudo que se vive e experimenta.

Pensando de uma forma simples, as escolas conservam seus ensinamentos através das seqüências formuladas ao longo dos anos de existência dela, são os Seiteigata.“Se observarmos bem, em tudo existe um Seiteigata. Para o escritor, para o pintor, para o jogador de futebol... Mas é o que ele aprende durante esse processo que permite a ele exteriorizar a sua genialidade. Com o artista marcial não é diferente”. Ser um artista marcial hoje, sem dúvida não é igual a outras épocas, mas semelhante. Vários praticantes trabalham em jornadas extensas, estudam, têm família, mas acredito que estas tarefas não atrapalham e sim ajudam o ser humano a se conhecer e perceber o quanto pode se organizar para o tempo, para cada coisa.

E o Seiteigata? Bom, “quando o Seiteigata é visto apenas como uma seqüência de movimentos repetitivos, este se torna um bloco de ações decoradas”, daí perde sua essência, igual àquelas tarefas de “decoreba” na escola, como a tabuada na disciplina de Matemática. Os formulários que possuem diversas seqüências serve para apurar o instinto dos estudantes, entender as distâncias para o uso de cada técnica, compreender melhor as formas e fazer com que o corpo se acostume com as movimentações. Não saberia dizer se existe a melhor maneira para se praticar um Seiteigata, mas como sugestão, faça como se fosse a última coisa que faria em sua vida.

E o tempo? Se você não é tão amigo dele, faça um planejamento detalhado dos seus afazeres. Preveja a duração de suas atividades, descanse e saiba ponderar estudos, trabalho, família, amigos. Praticamente funciona como se fosse um roteiro, uma forma de colocar sua memória para trabalhar a seu favor e com o tempo, se desapegar desta rotina, mas saberá o que deve ser feito.

Esqueça a angústia de não ter tempo e memória. Aja!

Referência:
AUGUSTO, Jordan. Seiteigata - Além do sentido original!!!. Disponível na Internet via WWW. URL: http://www.bugei.com.br/news/index.asp?id=2328

Salvador Dali Museum. Disponível na Internet via WWW. URL: http://www.salvadordalimuseum.org/home.html

The Museum of Modern Art. Disponível na Internet via WWW. URL: http://www.moma.org/collection/browse_results.php?object_id=79018

Última atualização em Seg, 01 de Fevereiro de 2010 07:11  

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