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José Vilela - Artigo Comentado...

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Comentário ao texto: “Relações... Nada que nos obrigue!...
De autoria do Shidoshi Jordan Augusto.

“O amor é amor de algo, portanto, quem ama, ama algo. Ama algo porque deseja. Deseja porque é carente daquilo que deseja e se deseja o que tem consigo, quer que o que tem agora consigo, também no futuro o tenha.” Sócrates

Estamos todos nós sujeitos a tristes desfechos em relação aos desacertos amorosos. E, como bem disse o Shidoshi, “as relações existem por um motivo maior, por uma realidade que transcende a normalidade da reflexão humana.”

A paixão nos torna irracionáveis e encolerizados, perdidos na complexa efervescência de sentimentos que nos fadigam – a ansiedade (a antecipação do risco), a mágoa (a ferida proveniente da perda), o medo (reação natural frente a um possível dano) e a carência (quando uma necessidade básica não satisfeita). O psicólogo Marco A. Bilíbio explica que podemos ordenar as emoções em famílias com identidades semelhantes. Dentre estas, na família das emoções de acolhimento teríamos o afeto, o amor, a amizade, o desejo, a simpatia... Esta família é de fundamental importância para a sobrevivência da espécie e quando experimentamo-las, construímos e formamos vínculos. Diz ele que tudo o que vem do corpo à mente é colorido pela emoção e, inversamente, tudo o que vem do pensamento e chega ao corpo é também colorido pela emoção. Portanto, as emoções moldam nossas ações e nossas preferências...

Gurdjieff diz que não podemos comandar nossas emoções, mas que se submetidos a um acentuado esforço no que tange ao autoconhecimento, podemos vir a substituí-las se as mesmas nos colocarem em perigo. Diz ainda que nós somos formados por vários “eus”, provenientes do nosso corpo físico, do nosso corpo emocional e do nosso corpo intelectual; uma trindade que deve se ajustar harmonicamente e se posicionar de forma equilibrada e alinhada em relação ao mesmo propósito. Portanto, diante de reações de extrema complexidade, ele antevê a nossa total impotência diante de tudo que nos cerca. Assim, tudo nos possui e nos domina; as coisas nos atraem ou nos repelem; toda a nossa vida não passa de uma submissão cega às suas atrações e repulsas.

Acredito, a partir da experiência de trinta e cinco anos ao lado da mesma mulher, mãe de minhas duas filhas, que toda e qualquer relação duradoura deve alicerçar-se na comunhão e na co-responsabilidade pela união. Esta enraizada na observância do temperamento do outro, no ceder e no providencial distanciamento diante da manifestação de emoções venenosas seguido de uma reaproximação quando o clima de tensão já estiver superado. Desta forma, substituímos uma desgastante e nociva explosão de sentimentos que permeiem a relação de dúvidas, acusações, depreciações e sarcasmos por um diálogo construtivo com visão sintética e amadurecida. Isto poderia vir a ser um mínimo controle possível para neutralizarem-se tais emoções inerentes aos seres humanos.

Talvez eu nunca saiba definir o que vem a ser o amor, este vasto sentimento com suas infinitas nuances, mas as provações nos ensinam que ele é a mola propulsora de tudo que se deseje, é a chave de todas as portas, é a luz que nos inspira a fluir em harmonia com o todo, é o que dá calor e cor à vida. Todavia, existe uma pré-condição necessária para se amar o próximo: amar-se a si próprio com justa observação de si e total sinceridade para consigo mesmo. Não satisfeita esta condição, estaríamos tateando no escuro dos significados à procura de algo palpável, na infância da compreensão...



Busca a tua alma, amigo
J. Krishnamurti

E podes tu dizer-me, pois, Amigo,
De onde vem esta enorme segurança
E o propósito dela?
A origem, desta interminável discórdia,
Desse violento desejo de bens múltiplos
Desse ansiar imenso pela vida,
Dessa luta infindável, por transitória dita?
Quão ligeiro se esfolha a linda rosa.
Quanto é fácil, amigo, a tristeza gerar-se.
Amigo, não acharás tua dita perdurável
Em templo algum,
Em nenhum livro,
Nem no humano intelecto
Nem nos Deuses de tua criação.
Não vás aos santos sítios,
Nem adores em templos à beira dos caminhos.
Quão de pronto a laguna tranqüila se perturba
E aos reflexos que encerra.
Amigo, pois, não busques tua dita
Nas coisas passageiras.
Procura tua alma, Amigo,
Pois só nela habita o teu Amado.

 

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