Comentário ao texto: “Sociedade… Da eterna manipulação!...” de autoria do Shidoshi Jordan Augusto
“A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas.” - Karl Marx
Quando nos voltamos para este mundo das grandes decisões que afetam a todos no planeta - humanos ou não - sempre nos deparamos com tristes evidências que não enobrecem nossa raça. Desde sempre os maiores no controle promovendo ações a partir de seus interesses, engendrando propositalmente uma grande teia de cargos, funções, alianças, conceitos e prioridades para seu deleite. Já no fim da segunda guerra mundial, por volta de 1944, desenhava-se uma nova ordem política, econômica, além de uma reestruturação social. Nesta época, líderes da Inglaterra, dos EUA e da Rússia de reuniram na Ucrânia e fatiaram a Europa nos blocos oriental e ocidental do pós-guerra. Para estimular a cooperação global e evitar futuros conflitos, criaram a Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta mesma época, foi criado o Banco Mundial como instrumento supranacional com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico, social e a redução da pobreza. O Banco Mundial, formado pelo BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) e pela AID (Associação Internacional de Desenvolvimento) foi criado com a missão inicial de financiar a reconstrução dos países devastados durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente com a finalildade de proporcionar empréstimos e assistência para o desenvolvimento a países de rendas médias com bons antecedentes de crédito. Surge paralelamente o FMI (Fundo Monetário Internacional) com o objetivo de lutar contra a pobreza, através de financiamento e empréstimos aos países em desenvolvimento, buscando manter um sistema ordenado de pagamentos.
Ocorre que, apesar destes organismos supranacionais terem nascido para cumprir uma missão nobre, tem já na sua normatização uma embaraçosa cláusula: no Banco Mundial, os presidentes são tradicionalmente cidadãos americanos - por serem os maiores acionistas - e tal procedimento não é passível de discussão onde a aceitação pelos outros países membros não é requerida e no FMI a presidência é tradicionalmente ocupada por um europeu. Todas estas instituições em conjunto tem imenso poder sobre a humanidade e em todas acontecem coisas que nossas imaginações não alcaçam. Assim, somos eternos peões usados no jogo dos interesses maiores e existimos na linha do fronte para proteção de nossos senhores capitalistas. A cada aparente motivação se esconde todo um aparato de subterfugios, negociatas e intenções obscuras que os perpetuam no comando. E, se acaso uma alma boa aparecer por lá, se enquadraria ou teria curta duração porque o sistema se encarregaria de convidá-la a se retirar para ir praticar filantropia noutro endereço. Assim ocorre por todo o planeta, das esferas mais altas as mais simples câmaras de vereadores municipais...
Recentemente participei do cooperativismo, cuja premissa é a de promover defesa à predatória exposição do fraco ao muito forte e cujo lema é: parceria, respeito, igualdade. Uma teoria bastante rasoável que nos inspira confiança e proteção. Porém, alguns meses depois, exatamente na alternância do poder via voto - na mais perfeita ordem democrática – cairam-se por terra todas as minhas boas impressões na medida em que passei a assistir e a discordar do loteamento de cargos com alocação de pessoas desqualificadas em posições de destaque como “pagamento de promessas de campanha” e a instalação de uma administração ineficiente e retrógrada que se incumbiu de desfazer-se dos “eficientes” que não falassem a lingua do grupo no comando. Portanto, política é uma ciência que exige estômago de avestruz para suportar-se os conchavos e as barganhas tão comuns, das quais nada suspeitaremos. Este é o preço que os bem intencionados pagam por absterem-se da liderança: submeterem-se às consequências deste intrincado jogo de cartas marcadas.
E, enquanto discute-se o rebaixamento do país mais rico do mundo do tríplice A para AA+, quanto ao risco de honrar seus pagamentos, enquanto procura-se uma luz no fim do túnel para os problemas financeiros do maior bloco econômico no mundo sob o guarda-chuva do euro, com países em dificuldade de honrar suas dívidas no curto prazo onde cresce a insegurança - Grécia, Espanha e Portugal; na Somália e na Etiópia crianças morrem aos milhares de fome e de sede. Morrem vítimas de epidemias de cólera, enquanto seus pais se vão contaminados pela AIDS. Na visão de um humanista, onde estaria a prioridade? Na sobrevivência, muito aquem da linha de pobreza ou na manutençao de padrões de vida de países desenvolvidos? É correto buscar meios para minimizar os problemas de crescente endividamento dos países do primeiro mundo, mas é igualmente correto buscar retirar países pobres da miserabilidade. As instituições supranacionais mencionadas acima são as únicas armas das quais o mundo dispõe para equacionar problemas novos que se colocam para além do nacionalismo em um mundo totalmente interdependente; problemas que tenham como foco o respeito aos direitos humanos, a sustentabilidade do planeta, o desarmamento, entre outros. Estes instrumentos foram criados justamente para isto. O custo de não resolver os problemas dos países pobres já se mostra bem maior do que tentar resolve-los e lidar com estas realidades díspares é condição básica para a governanabilidade mundial, hoje mergulhada numa gigantesca assimetria. Não havendo líderes supranacionalistas respeitaveis, a ONU entre outros, se mosta inoperante e omissa diante dos imensos desafios que se colocam para serem equacionados.
Assim, voltando ao pensamento de Karl Max , podemos entendê-lo quando disse que o mundo das coisas se pôs de costas para o mundo dos valores. Ações significativas devem emergir desta classe que detêm o poder, os recursos, as tecnologias, o conhecimento e que abrigam as mentes mais preparadas. Estas devem compreender o mundo da forma que é para torná-lo um mundo melhor, virtuoso, submetendo ao julgo da consciência o destino dos fracos e oprimidos que subsistem sem a mínima perspectiva de enquadrar-se na significação precisa do que de fato são: homens, tais quais seus semelhantes.
Referências:
pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial
pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Mundial








